Comida Afetiva e Memórias do Coração

A próxima temporada do programa Cozinha Prática da Rita Lobo terá como tema a comida afetiva!

Eu acredito demais no tema. Eu tenho lembranças deliciosas de comidas sempre associada a uma pessoa que me fez ou faz muito bem!  Vai direto no coração! Enquanto o programa não vai ao ar, deixo aqui minhas memórias muito mais afetivas e muito menos da gula!

Final de semana chegando…vamos falar de comida e memórias! Imediatamente me vem um filme à memória. Vocês lembram da Babette? A Festa de Babette  é um filme do final da década de 80, que conquistou vários prêmios, mesmo quando o mundo da gastronomia nem estava tão em alta. Babette recebe um premio de loteria e resolve gastar na preparação de um jantar francês e oferecer aos moradores da vila onde viveu e trabalhou por doze anos. Entre Caille (Codornas) au Sarcophage, Le Salade e Potage à la Tortue (click aqui para conhecer as receitas)  Babette queria com seu banquete retratar o amor e gratidão que sentia pelas pessoas por meio da experiência gastronômica. Não esqueço a cena do filme quando ela serve um caldinho aveludado de tartarugas. Vale dizer que o filme se passa na Dinamarca no século XIX. Hoje ainda servem esse caldinho aveludado na França, mas a carne de tartaruga  é sabiamente  substituída por moleja e miolos de vitela.

Isso tem a ver com afetividade!

Então,  o que nossa memória afetiva tem a ver com comida afetiva? É quando lembramos com muito carinho de alguém e essa lembrança está associada à uma comida especial. É o bolinho da chuva da tia, e junto dele vem o cheirinho da casa, das roupas, a cozinha, as gargalhadas…comida tem. com certeza, como principal ingrediente o AMOR!

O biscoito da vó, o amendoim com açúcar do vô, o bolo da tia, a rosquinha de polvilho da vó, a bolacha caseira da mãe, o pão da mãe, o churrasco do pai, o frango assado da nona, a maionese da comadre…

Dia desses meu marido ficou incrédulo pois fui capaz de lembrar de uma jantar que aconteceu na casa de uns amigos em 1999. Fui capaz de descrever o cardápio todinho (uma mistura de comida grega com húngura, difícil de esquecer). Foi tão especial que inclusive lembrei da roupa que eu estava vestindo. Ele continua incrédulo, mas para mim aquele jantar, com aquelas pessoas, foi um momento inesquecível porque tudo foi preparado com muito amor para nos receber. Isso tem haver com memória afetiva e comida afetiva.

A minha infância foi recheada de  cueca virada ou Grostolli, bolo de laranja, pudim de leite, risoto, galinha assada… O alimento sempre esteve presente em todas as manifestações de amor e carinho, sejam dos mais simples até as mais sofisticadas pratos e paladares. Sempre temos uma lembrança que aquece nossos corações ligados à comida.

Até hoje nossas mães, avós, tias, amigas… quando as visitamos, ou simplesmente nos convidam para um café da tarde, sempre com o intuíto de agradar, preparam nosso alimento ou  quitute preferido. Se a visita se prolonga por mais alguns dias, os quilinhos a mais são inevitáveis, mas coração carregado de amor.

Quer conhecer a “cueca virada” da minha  Nona? É maravilhosa! Meus primos vão me entender. Vai super bem com café.

Ingredientes

  • 3 xícaras de chá de farinha de trigo

  • 6 colheres de sopa de açúcar

  • 1/2 xícara de chá de leite

  • 1 pitada de sal

  • 1 ovo

  • 1 colher de sopa de margarina

  • 1 colher de sopa de vinagre ou pinga

  • 1 colher de sobremesa de fermento em pó

  • Açúcar e canela misturados para polvilhar

  • Óleo para fritar

    Modo de Preparo

    Misturar os ingredientes até ficar uma massa que não grude nas mãos ( se necessário colocar um pouquinho mais de farinha de trigo )Abrir com rolo em superfície enfarinhada. Misturar os ingredientes até ficar uma massa que não grude nas mãos ( se necessário colocar um pouquinho mais de farinha de trigo )Abrir com rolo em superfície enfarinhada. Cortar tiras no tamanho desejado Fazer um corte no meio e passar uma ponta por dentro virando. Fritar em óleo não muito quente. Descansar sobre papel toalha. Polvilhar açúcar e canela.

cueca viradaVai super bem no c cafezinho da tarde de sábado ou domingo!! Ou de qualquer dia!

Obrigada mãe, tia, tio, vô, nona, amigas, comadres…por sempre demonstrarem o carinho de vocês por meio de algo tão sagrado que é o alimento. O carinho e o alimentos, juntos nutrem nossa memória, nossa alma e nosso corpo.

Conte para nós qual sua comida afetiva !

 

 

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