Oh mãe, então né!

– Oh mãe. Não me venha com as suas idéias, vamos atualizar um pouquinho este sistema. Somos outra geração, temos outros interesses e nossa cabeça funciona em IOS 11.0.3.

Parem o mundo que acho que quero descer!

O pai guardava aquela coleção de Comandos em Ação em uma caixa de papelão que ninguém podia tocar. Era para um dia mostrar para os filhos.

A mãe sonhou com o dia em que plantaria com eles feijões e batata doce para vê-los brotar.

A avó guardava cascas de ovos para pintar com eles na Páscoa e encher de amendoins. Era tradição de família.

Tradição, oi?! Só que não. Ou diriam eles, digo, teclariam #SQN.

– Alô, Doutor! Socorro, tem como rebubinar a fita?
– Me desculpe D. Cintia, esta tecnologia que tanto te ajuda não pode ser filtrada, ela serve para todos.

Este nosso desejo de mostrar nossas melhores lembranças aos nossos filhos é natural. Ele mora dentro da gente. Foram recordações guardadas com muito carinho por muitos anos. Algumas lembranças quando compartilhadas com a nova geração são sucesso total, outras nem tanto.

Algumas famílias são mais tradicionais, outras mais descoladas, umas mais saudosistas e outras mais desencanadas. Aí entra o grau de satisfação e de frustração de cada um. Como cada pai espera e como cada filho reage.

Tirar o celular da mão deles e jogar uma partida de Stop.
Sentar junto e jogar FIFA no PS4.
Colocar todos no carro e ir para uma chácara colher frutas.
Conversar sobre os últimos aplicativos e as melhores playlists do Spotify.

Tem família que entra na onda dos filhos e tem família que quer que os filhos entrem na sua onda. Eu voto no mix, mas sem mais expectativas, pois para quem cria bichos virtuais, o broto de uma batata doce pode não ser tão legal assim.

Por Cintia Almeida, que frustou com a batata doce.

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