PESSOAS QUE NOS INSPIRAM – ENTREVISTADO: BETO MADALOSSO

CARLOS ROBERTO MADALOSSO FILHO – BETO MADALOSSO

Irreverência

                Receita infalível: 2 xícaras de irreverência, 1 colher de sopa de muita disponibilidade, 3 doses de simpatia, 2 colheres de sopa de muita gargalhada, coloque 4 pitadas de foda-se, por último 1 dose exagerada de simplicidade e mais 5 colheres de perspicácia e inteligência. Misture tudo e sai prontinho Beto Madalosso!

E foi assim, num clima mega, ultra, blaster descontraído, como se estivéssemos no sofá de nossa casa, descalços e com nossa “roupa de casa”, que essa entrevista aconteceu! Quase “fomos ao banheiro de portas abertas!” Já ouviu essa expressão? Pois é, foi assim o tempo todo, numa cumplicidade e espontaneidade ímpar!

 

  • À que você atribui a sua popularidade?

Resp: Não percebo que sou. Mas vejo que as pessoas falam que sou, inclusive vocês! Mas voltando à pergunta, acredito que pelo fato de vir de uma família popular, tradicional e com sobrenome de peso na cidade, sem dúvida pode ter contribuído como base para essa minha “plataforma popular”. É um privilégio ter nascido em uma família de peso. Não fico confortável, muitas vezes, com essa vantagem que a vida me deu, de nascer em uma família de posses.  Contudo com valores, tive uma infância feliz, brincava na rua, de bike, de soltar pipa, futebol… Não sou filho único. Sou um dos 20 filhos/primos da 2ª Geração. E sim, sou o mais popular.

Não tenho medo de me expor, aliás, tenho sim. Mas é um medo que me impulsiona. É como se eu fosse abduzido por uma idéia e “baixasse” em mim uma inspiração. Tenho que colocá-la para fora imediatamente. É uma compulsão literária. Aí, escrevo textos, mensagens, vou para as redes sociais (Instagram, Facebook, etc). É a minha voz na mídia social. Sabe! Aproveito muitas vezes para “concluir o mundo”. Traduzindo. São percepções minhas, exercício de empatia.

 

  • De tudo que faz: chef de cozinha, proprietário de restaurante, esportista, viajante do mundo, etc, etc, etc de que mais gosta?

Resp: Surfar (gargalhada geral). Surfar sim. Mas às vezes falta tempo, disponibilidade. Dá para levantar bem cedo e dependendo do dia, ir até o litoral, surfar e voltar até meio dia. Tenho alguns amigos que conseguem.

Mas, vamos lá. Gosto um pouco de tudo e de tudo um pouco. Sou hiperativo. Tenho diversidade nas ações. Tenho gosto variado. Sabe, quando vou para a praia, sou daqueles que leva violão, panelas, conjunto de facas, prancha… Parece que vou de mudança. Mas preciso ter tudo ali. O que eu quiser, vai estar lá. Detalhe, muitas vezes, não uso nada… Ah, gosto de falar mal do Bolsonaro (mais gargalhadas).

 

  • Redes sociais ajudam ou atrapalham?

Resp: Ajudam e atrapalham. Brincadeira, as redes sociais ajudam mais que atrapalham. Aliás, é meu meio de comunicação com o cliente. Posso economizar e muito com os formatos de mídias antigas (rádio e TV). Não desfaço delas, mas utilizo muito menos e uso muito mais as redes sociais.

Se eu pensar, quando estou na mídia em meu perfil pessoal, eu deleto o que e quem me incomoda, me expresso do jeito que eu quero e penso. E praticamente ajo da mesma forma no plano profissional.

As redes sociais são um espaço que me define. Quando escrevo é um processo natural. É uma entrega. Sou eu de forma espontânea. Sinto-me confortável. Não tenho ninguém que me regre ou delimite o que falo.

Também tenho a revista Tutano Gastronomia. Lá o trabalho é feito todo por uma agência – Pulp  que regula, publica e cria os textos com outros colunistas, etc. Ou seja, faz o trabalho diário, uma rotina. Na Tutano divulgo muitos lugares e concorrentes também, porque não? Isso não diminui e nem nunca diminuiu a minha clientela e cria um “ambiente” muito favorável.

 

  • Sua irreverência criou uma identidade para os negócios?

Resp: (risos) Vocês estão dizendo que sim. Eu acho que sim. Na realidade e completando a linha de pensamento da resposta anterior, eu tenho uma linha de comunicação e tudo à minha volta segue a mesma (redes sociais, no privado, no profissional e revista Tutano Gastronomia).

Existe sim diferença do Beto empresário da pessoa Beto, mas é tênue. Quando por exemplo dou uma receita, procuro fazê-la de forma bem descontraída. Sai palavrão, muita besteira, piadinha e ela vai se formando. É a forma que prendo meu público a mim.

Outra coisa, por exemplo, dia das mulheres, os restaurantes dando desconto blá, blá, bla. E na verdade o que mais elas queriam era pagar, entende? São conquistas! Não é um dia para comemorar. Logo me veio um textão e fui lá para meu insta! Tem que ter sim é respeito por elas e não dar presente. Fico irritado com aquele papo de mulher com discurso machista… Cadê meu presente? Sou sua princesinha… (grunidinhos à la Fred Flinstone e gargalhadas). Sei lá, sou eu assim, como sou.

 

  • Beto Madalosso já virou uma marca?

Resp: Não. Acho que não. Não sei dizer. Uma marca é para ser usada e não consigo imaginar meu nome como uma marca porque acho que faço de tudo um pouco e não represento nada em definitivo. Faço esporte, triatlon, sou dono de restaurante, falo de política, de besteira, me posiciono. Estou sempre em movimento. Sou inquieto. Não sou conhecido apenas por uma coisa. Acredito que um conjunto!

 

  • O que mais gostou e que proveito tirou de sua viagem à Itália?

Resp: Eu estava perdido. Tinha muitos planos. Dar a volta ao mundo de moto. Sei lá, largar tudo. Estava estressado. Dois restaurantes, um relacionamento que parecia não estar certo e ao mesmo tempo estar. Eu estava me sentindo sobrecarregado com tudo. Sentia-me sem saída. Num turbilhão. Eu precisava sair, respirar, sentir e me encontrar.

Tinha uma sobrecarga em mim pela minha própria estória. Vencer, ter sucesso, uma busca incessante de conquistar mais e mais coisas e bens. Queria ter 100 restaurantes! Deixava-me influenciar por muita coisa e informações. Parei tudo. Precisava parar.

Passei 5 meses na Itália.  Foi arriscado, mas necessário. Sofri muito, fui sozinho e fiquei sozinho. Não procurei amigos ou conexões que pudessem me ajudar nessa jornada. Eu precisava estar comigo e só comigo. Aproveitei a estada lá para estudar e fazer mais um curso de gastronomia.

Postava fotos sorrindo, mas por dentro estourado. Viajei  45 dias de moto entre Portugal e a Itália. E o restante do tempo, permaneci na Itália. Nesses meses que estive fora, meu restaurante aqui ficou com um grupo que trabalhava para mim. Minha família não interferiu. Mas senti que parar tudo, foi um passo arriscado… Arrisquei perder o amor da minha vida, meu negócio desandar, minha família se distanciar… Caiu a ficha e percebi que realmente amava a Julia, tinha tesão pelo meu trabalho, sentia falta das minhas coisas, dos meus amigos, dos meus ambientes. Precisava voltar e reconquistar tudo. Colocar nos eixos.

Percebi que não precisava ter 100 restaurantes, mas que existem coisas maiores que simplesmente abrir negócios, mais negócios e mais negócios. Não que eu não possa ou não queira. Mas tudo tem a sua dose certa na vida. Não quero ser ignorante nas questões do mundo. E tem muito empresário que se aliena e é! Na minha volta, tive muito trabalho, mas consegui reconquistar tudo!

 

  • Gestão de Pessoas – você faz uma gestão mais humanitária?

Resp: Cresci numa família que sempre trabalhou muito. Meu pai, minhas tias. Sempre muito comprometidos. Aprendi isso. Porém, por ser filho do dono do Madalosso, houve sempre um peso muito grande em mim. Martelavam-me  as ideias, não sou ninguém, sou apenas filho do dono. Alias, ser ninguém, nessa configuração seria a melhor coisa, assim não geraria nenhum tipo de expectativa.

Permiti-me largar tudo e ir para Nova York. Aprendi muita coisa e voltei. Mas falando de gestão, gosto desse modelo de gestão humanitária. Tem um ambiente de trabalho mais favorável. Exerce-se a função de liderança e não de chefia, tenho hoje muitos funcionários que me ajudam a cuidar de meu negócio como se fosse deles, tamanho a confiança e engajamento de ambos os lados. O meu, no papel de empresário, que entende as questões do mundo e que usa de empatia. E o lado deles de funcionários que se dedicam. É lógico que existem casos e casos. Sou da geração Y, ou talvez esteja no limiar dela, ou se preferir, linha de corte para aquela “turma” que não gosta de trabalhar e que reclama de tudo. É claro que de vez em quando surto, sou lobo mau, mas logo volto à forma normal by Beto!

 

Confiram o vídeo onde o Beto Madalosso comenta 4 frases postadas por ele em suas redes sociais. Está imperdível:

  • “Gosto de viagem que te faz sofrer…”
  • “Meu humor é contra mim mesmo…”
  • “Mostrar as fraquezas é mostrar que é uma pessoa real…”
  • “Fotos de perfil nas redes sociais são iguais a caixas de morangos…”

Beto, nosso super obrigada por este bate-papo, por nos deixar tão à vontade e por nos dar a oportunidade de compartilhar o ser humano incrível e empático que é você. Estamos seguras de que na próxima, poderemos chegar já tirando os sapatos!!!

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