BATE PAPO HEITOR CÔRTES – SE CONHECER. SER FELIZ. A MELHOR PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

BATE PAPO HEITOR CÔRTES – SE CONHECER. SER FELIZ. A MELHOR PREVENÇÃO AO SUICÍDIO

Biografia

Nascido em Itararé, São Paulo, Heitor Côrtes é casado há 34 anos, pai de seis filhos, formado em Administração de Empresas. Já ministrou mais de centenas palestras, atividade que iniciou aos 15 anos, incentivado pelo padre Zezinho, em São Paulo.

Mudou para Curitiba. Há 24 anos é sócio proprietário das lojas Saint Germain do Bigorrilho e Champagnat. É membro do Conselho da Federação das Indústrias do Estado do Paraná – FIEP desde 2004 e autor dos livros “Empresário do Terceiro Milênio e “Suave Despertar”.

Muito habilidoso em lidar com as relações humanas, Heitor Côrtes também desenvolveu o seu lado humanista e espiritual, e com carisma e simpatias se tornou referência e um guia em palestras motivacionais e de desenvolvimento pessoal.

Mais informações sobre Heitor Côrtes e seu trabalho no site www.heitorcortes.com.br.

Bate-Papo

Quando você junta um bom café, um bolo maravilhoso com cara de que foi feito pela sua avó, um tema controverso e cheio de peculiaridades e cuidado, uma mente iluminada e apaixonada pelo ser humano, só pode resultar num bate-papo para lá de delicado e especial.

Falar sobre o tema suicídio não é fácil. Confesso que demoramos mais de 2 meses entre o bate-papo e a sua publicação. Parece que o tema enroscou em nossos dedos e as palavras travaram. E novamente o acaso não foi acaso. Talvez seja exatamente assim que as pessoas que hoje encontram-se em situações complicadas se sentem.  Mas falar sempre é a melhor alternativa. Portanto, nós temos que alertar, que debater e acima de tudo prevenir o suicídio.

Heitor Cortes é uma pessoa ímpar que transmite em suas palavras e maneira de se expressar uma paz deliciosa. As palavras soam como música e alento. Parecem abraçar e acolher. Faz com que você entre em um estágio de conexão, um rapport quase que imediato.  Possuí uma capacidade de síntese impressionante.

Questões:

1)      Como seu estudo/trabalho com esse tema começou?

Resp: Com 35 anos no Centro Espírita eu ministrava um curso: “Eu estou de Bem com a Vida”. Fui atender uma família onde uma menina de 14 anos suicidou-se. A mãe estava desolada e se questionando sobre onde ela havia errado.  Não havia um motivo aparente, foi uma pré-disposição genética. Esse foi meu primeiro contato.

2)      Quais as causas principais para que a pessoa pense em suicídio?

Resp: As causas são muitas. Diversas. Existem muitos motivos e situações que podem levar a depressão e ao suicídio, dificultando um “pacote” pronto de ação para o tratamento e/ou contenção. Posso citar as principais que encontramos hoje:

  • Depressão
  • Patologias
  • Uso de drogas
  • Alcoolismo (cria uma coragem)
  • Pré-disposição genética para esquizofrenia
  • Drogas legais e não legais

Existem outras causas, mas não menos importantes:

  • Bulling
  • Assédio Sexual
  • Sexualidade
  • Tribos indígenas (Amazonas e Acre)
  • Falência – problemas financeiros;
  • Desgastes de fundo emocional
  • “Honra ferida”

Considero também, no grupo de risco:

  • Acima de 70 anos;
  • Descoberta de doenças (a cegueira, por exemplo)

 

3)      Do seu ponto de vista, como o tema suicídio deve ser trabalhado?

Resp: Para trabalhar com prevenção, no meu entender, temos que trabalhar com nichos, criar especialidade. Programas educacionais para a primeira fase da vida da criança e do adolescente, de maneira a identificar comportamentos que possam indicar dificuldades emocionais “fora da curva”. Para isto, tanto os pais, como os professores devem receber instruções para que na eventualidade de observarem comportamentos agressivos e/ou apáticos, alternados ou não, devem procurar ajuda médica para uma avaliação. Falamos de neurologistas, psiquiatras, psicólogos entre os mais importantes. Observar mudanças bruscas de comportamento é super importante. Quanto antes identificarmos problemas emocionais, maior as chances de cura ou tratamento mais eficaz. A grande “sacada” na prevenção é chegar muito tempo antes. Não deixar chegar no final da linha que é o suicídio em si.  Ter programas como o 188 que a pessoa possa conversar e por fim programas de ajuda e amparo a familiares e amigos.

 

4)      Existem sinais que podem ser detectados?

Resp: Sim. Quase que na totalidade, a pessoa dá sinais, dicas de que está com pensamentos suicidas. Que está passando por problemas. Normalmente, as pessoas ficam extremamente quietas ou mais quietas do que eram. Passam a ter uma vontade quase que incontrolável de dormir. Dormir demais passa a ser um hábito. Têm uma constante variação no seu comportamento. Não aceita a si mesmo. Pode apresentar uma grande habilidade de transferir o problema para o outro. Em casos de já estarem na idade adulta, a adolescência pode aparecer “ampliada”, se estendendo para muito mais que os 18 anos.  Um período de tristeza que ultrapasse 7 dias é motivo para procurar ajuda médica.

 

5)      Nesse estágio, quais os riscos?

Resp: Ter pequenos períodos de tristeza e angústia é normal. Faz parte da vida. A questão é: por quanto tempo? Quando a pessoa não está bem e sinaliza pensamentos de não querer viver ou de se achar um estorvo para os seus, é necessário buscar ajuda profissional para avaliar o “tamanho” do problema. Há sempre a dúvida de não interferir no livre arbítrio das pessoas. Mas há momentos que a pessoa está tão fora de si que não tem mais capacidade de decidir nada. Aí entra a necessidade de fazer uma “intervenção amorosa”. Em geral, num primeiro impacto e informação de um acontecimento triste ou funesto trás desespero. Mas o tempo vai mostrar que a situação não era tão grave. O bicho não tinha 7 cabeças como se viu num primeiro momento. Respirar por 10 segundos sempre antes de se irar é uma medida prática que evitaria muitos problemas.

 

 

6)      Como um familiar e/ou amigo pode ajudar?

Resp: As pessoas com doenças mentais e depressão precisam de suporte e de um acompanhamento psiquiátrico e psicológico. Inicialmente, se você perceber que uma pessoa próxima pode estar depressiva, primeiramente acolha. Pergunte o que está acontecendo? Ofereça ajuda! Faça escuta ativa, ou seja, escute verdadeiramente. Mas, em grande parte dos casos, a ajuda externa é necessária. Os dois profissionais que podem trabalhar nesse processo são o psiquiatra e o psicólogo. No caso do psiquiatra ele irá tratar das questões medicamentosas. Já o psicólogo trabalhará fundamentalmente nas questões comportamentais. Como a pessoa reagir de forma prática a conter a crise de raiva. Dessa forma supera aquele momento, pois o suicídio ocorre num segundo apenas.

Notar que além do que é considerado suicídio direto, devemos atentar também para o que é chamado de suicídio indireto, como por exemplo o consumo de álcool e drogas.

7)      O que não devemos falar para uma pessoa que está depressiva?

Resp: Em hipótese alguma devemos dizer a uma pessoa que está em depressão as frases como:

  • “Você tem tudo”!
  • “Isso é falta de ter fé e Deus em sua vida”.
  • “Você tem que sair de casa, viver a vida…”
  • “Você tem que reagir”!

 

É perverso julgar ou definir a dor que a pessoa sente. Somente quem tem a dor sabe. Qual é a dor mais doída? Sempre a que se tem no momento.

 

8)      Pode nos passar alguns dados gerais sobre o assunto Suicídio?

Resp: Sim. Seguem alguns dados:

  • 12 mil casos por ano no Brasil (oitavo país no ranking mundial);
  • 43 mil casos por ano nos EUA, 258 mil na Índia, 120 mil China e 11 mil na Alemanha.
  • 1 suicídio a cada 40 segundos no mundo;
  • 1% da população Mundial é esquizofrênica;
  • 1,5% da população Mundial tem bipolaridade;
  • 2/3 das depressões são curáveis, na primeira medicação
  • Setor médico tem altos índices de suicídio;
  • Quando a depressão é patológica é mais fácil de identificar;
  • Só 28 países têm programa para Prevenção do Suicídio
  • Pessoas ainda associam Psiquiatria à loucura;
  • Hoje, no mundo o suicídio mata mais que as guerras!
  • Modalidades de Suicídio: Direta: age colocando fim a vida no ato e indireta: vai se “matando” aos poucos (má alimentação que pode causar obesidade, anorexia, drogas lícitas e não lícitas, sexologia e álcool).
  • O risco maior hoje chama-se reincidência! Para cada suicídio registrado existem 20 tentativas.

 

SEMPRE HÁ UMA SAÍDA!

Se não estiver sentindo bem procure ajuda. Se o que pareça ser uma simples tristeza, durar mais de 7 dias procure ajuda, ou ajude quem você encontrar nesta situação. O primeiro passo é escutar e ajudar esta pessoa a voltar a ver a vida com alegria. Demanda tempo, mas é possível. Somos seres genuinamente espirituais. Pense nisso!

Confiram  o recadinho que Heitor deixou para o VQGE e seus leitores:

Parte 1:

Parte 2:

Mais informações:

https://www.cvv.org.br/

http://portalarquivos2.saude.gov.br/images/pdf/2017/setembro/20/Folheto-jornalistas-15x21cm.pdf

http://portalms.saude.gov.br/saude-de-a-z/suicidio

https://www.icict.fiocruz.br/sites/www.icict.fiocruz.br/files/Cartilha_de_Prevencao_ao_Suicidio.pdf

 

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