FUI DESLIGADO!

Mundo Corporativo: Fui desligado!
Ser desligado de uma empresa não é fácil para ninguém. Passamos por uma série de sentimentos que mexem com a nossa autoestima e geram frustração. Isso é normal, afinal dificilmente alguém gosta de sentir-se “dispensável”.
Sabemos que nem sempre o desligamento tem a ver com a eficiência. Pode ser estar relacionado ao momento atual da empresa em que estava, ao momento que a pessoa que foi desligada está, divergência em relacionamentos ou ideias, cargos extintos e por aí a lista vai.
O que vem “pós” desligamento é muito importante. Passamos a fase do “luto”, a avaliação do que erramos e acertamos e o colocar os pés no chão, chacoalhar a poeira e dar a volta por cima. Não é um momento fácil. Mas, não é hora que estagnar!
Há alguns anos muitos atrás, passei por uma situação que não desejo a ninguém. Fui desligada de uma empresa que eu amava de paixão! Dava meu “sangue” e meu melhor, vestia a camisa etc etc, mas acabei sendo desligada. Fiquei sem chão, com a sensação de “não existe vida sem estar naquela empresa” (exagero, eu sei… mas era o sentimento na época), pessoas que considerava amigas se afastaram e assim passei por esse momento delicado.
Na ânsia da recolocação fui com muita fome a todos os veículos que na época estavam disponíveis para envio de Currículos e verificação de vagas disponíveis. Me candidatei em algumas e participei de alguns processos seletivos. Um deles me chamou muito a atenção por uma série de fatores e que me marcaram para sempre.
Uma empresa na área de tecnologia me ligou para agendar uma entrevista. A vaga, a princípio, parecia interessante e desafiadora. Fazia pouco mais de 25 dias de meu desligamento. Quem iria me entrevistar era a diretora “fodástica” da América Latina. Opa, que show. Uma poderosa executiva. Com certeza uma mulher a ser seguida e admirada, pensei. Mas, já no agendamento comecei a achar algo estranho. O cara que me ligou queria que eu fosse buscar a poderosa chefona no aeroporto para ela me entrevistar. Detalhe, num voo que chegava em Curitiba de madrugada. Não me sent confortável e falei que não podia. Achei que o cara não gostou muito, mas ok, agendou a entrevista para as 9hs num grande hotel da cidade. Me vesti de forma sóbria, me enchi de confiança e fui para o que imaginava que seria um dia incrível. Cheguei ao hotel e aguardei ansiosa na recepção. Em pouco tempo a excelentíssima executiva surgiu no saguão. Realmente uma executiva de primeira em seu tayler bem recortado e um belíssimo scarpin. Vestia em cima um sobretudo elegantérrimo. Meus olhos brilharam com a possibilidade de ser como ela. Afinal, experiência para o cargo eu tinha! Na sequência, mais uma situação estranha. Imaginei que iriamos para alguma sala mais reservada para a entrevista e para minha surpresa ela começou a procurar alguma poltrona vaga no saguão e sim, a entrevista foi ali em meio a hóspedes e funcionários que circulavam para lá e para cá. Não se mostrou uma pessoa muito disponível, mas vamos lá. A entrevista começou. Relatei com entusiasmo minha trajetória e conquistas e esperei uma troca, uma sinergia. Mas nada. Entortou os lábios e questionou se eu tinha filhos. Respondi que sim, inclusive a minha filha menor tinha 1 ano e meio. Porém, foi nesse momento que “minha tortura” emocional começou. Seu olhar era intimidador e sua elegância morreu ao elevar sua sombrancelha e me olhar com desprezo. Disparou frases como: “Como você pretende ser executiva tendo filhos’? Como está há poucos dias “demitida” ainda não chegou ao fundo do poço e é lá que você precisa estar para ocupar uma nova cadeira em uma empresa”. “Eu tenho uma filha de 16 anos, sou separada e ela se virá sozinha. Aliás, a vejo muito pouco, porque estou sempre em viagem”. “A vida vai ensiná-la .” A partir dessas declarações e outras que não me recordo agora, confesso que já não ouvia mais nada e comecei a me sentir mal. De repente se levantou, se despediu e saiu dizendo que alguém faria contato comigo. Fiquei ali, parada sem saber o que fazer. Parecia que tinha passado por um furacão.
Para você que está lendo pode parecer mimimi ou balela. Mas eu que vivi não acho. Mexeu com minha autoestima e no que eu acreditava ser uma executiva de alto escalão e de sucesso. Aquela primeira impressão de sucesso tive ao vê-la desmoronou completamente. Figura para mim patética!
Minha descrição de sucesso e o que quero para minha vida passa muito longe de uma figura como essa. Fui ruim passar por isso, me senti um nada no momento. Hoje agradeço infinitamente por entender a diferença entre um executivo e “O EXECUTIVO”.
    Que as corporações se livrem e estejam isentas de executivos com essas características.
Por Patricia Bertão

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